De café a cerejas frias...
E a busca frenética por cultura continua! Comecei bem a semana indo assistir "Havana Café", espetáculo da Cia. Ensaio Aberto que hoje foi apresentado na Lona. Do texto às belas vozes, o musical é tudo de bom, pra variar!! Os caras sabem fazer uma peça com diversos vieses "semi camuflados", digamos assim, pelo aspecto de diversão que o título sugere. Dirigida por Luiz Fernando Lobo, a montagem satisfaz os amantes do gênero. Mesmo com o atraso de mais de 1h30, decorrente de uma queda de energia elétrica, o elenco soube segurar o público ainda do lado de fora da Lona, dando uma satisfação e tratando-nos com respeito. Na boa: eu sou um ser suspeito para falar deles, de quem sou fã declarado desde que assisti, ano passado, o musical "Missa dos Quilombos" (com elenco bem maior que o de "Havana"), cujas músicas foram compostas por ninguém menos que Milton Nascimento, em parceria com Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra. Um cenário fantástico e simples, com elementos de ferro velho, no Galpão 5 do Cais do Porto. E sempre denunciando a desigualdade social, abordando temas como fome, posição da Igreja, discriminação e escravidão contemporânea. Só assistindo, mesmo. Lembro que na época estava sem grana (pra variar...) e só pude comprar o programa da peça, que já foi uma super aquisição. Santo programa, será guardado com minhas bugingangas teatrais enquanto eu for vivo - parece até frase de filme clássico...! E no final da peça de hoje, que achei até curta, uma frase maravilhosa sobre a posição dos atores diante das dificuldades contemporâneas, e sua maneira singular de colaborar! De transbordar as lágrimas nos olhos... Bati um papo com um dos atores e já agendei um retorno, dessa vez no habitat oficial da temporada, o Café Pequeno. Pagando meia entrada, como bom estudante que sou, mas pagando... Afinal, ator também precisa comer, né?! Terça fui com o Pedro assistir uma versão (genérica) de "O Jardim das Cerejeiras", de Anton Tchekov, intitulada "O Cerejal" e encenada pelos alunos da CAL. O espaço da escola é muito bom, da subida à sala de apresentação. Cenários bem cuidados, iluminação convincente. Embora tenha sido publicado nos jornais, somente na entrada ficamos sabendo que a peça era destinada aos pais e amigos que figuravam numa lista de convidados na porta do teatro. Lamentável. Como não saio de casa em vão, fiquei "pra ver qual é". E foi. Graças à uma atitude bondosa do rapazinho responsável pela entrada, e pela falta de interesse em clássicos por parte dos figurões da lista. Saímos no intervalo. E hoje, pra fechar uma trica teatral, assisti com a Jane "O Mambembe", montado por Amir Haddad, na Lona, também. Foram apenas TRÊS HORAS E VINTE MINUTOS DE PEÇA!! Tive crises de riso nervoso diante de tamanho incômodo por parte da (falata de boa) acomodação nas arquibancadas da Lona, e otras cositas más! Achei muito legal o ator Erom Cordeiro, que tinha a voz mega-projetada e cantava super bem, preenchendo o espaço da Lona, que não colabora muito para se cantar no gogó! Muito bacana, ele. De tudo se tira lições, certo? A de hoje é que jamais se deve assistir à uma montagem de Amir Haddad na Lona Cultural sem estar com o estômago devidamente forrado (principalmente nessa fase difícil de pós-adolescência, onde a fome ainda é enorme...). Ou sem estar com a bolsa repleta de alimentos e bebidas. Ou estando com pressa para voltar pra casa. Ou estando impaciente para peças não editadas! Esperamos o próximo espetáulo... da Lona.
Escrito por Bruno às 02h00
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