A estrela da Lapa!!
Com o retorno às aulas e o número crescente de papéis para ler, tem sido difícil passar as aventuras deste carioca para esse cyber espaço. Mas como a necessidade de praticar a escrita (mesmo enquanto porra-louquices...) é uma constante em meus turbulentos dias, eis-me aqui outra vez!! Ahn? Ninguém percebeu a ausência? Pula essa parte... Muitas coisas foram feitas, lidas e iniciadas. Apo longo e cansativo processo tornei-me o mais novo membro dessa “colônia virtual” chamada Orkut.
Num fim de semana de Agosto, pude comprovar o brilho de Luciana (o autor não revelará seu sobrenome para preservar sua carreira), querida amiga do teatro que, ao me encontrar com um grupo de amigos “estacianos” na Lapa (no momento do encontro, ela praticava a fusão do leite condensado com vinho, vulgo pau na coxa), proporcionou-nos uma agradável noite. Epa!! Não é exatamente o que passa por essas mentes corrompidas pela luxúria!! Ela foi, sim, e com merecimento, a estrela e musa da noite, muito mais pela presença marcante e transformadora do que por seus novos seios. Devo confessar que, por uma noite, Lu tornou-se o fetiche dos universitários, esbanjando sua natural sensualidade, audácia e verdade interior. Claro que todo o conjunto foi apreciado, não só por esse transtornado grupo, mas também por boa parte dos que pelas calçadas do recém-inaugurado Circo Voador transitavam...
Como estávamos todos durangos (pra variar...), as calçadas superlotadas foram mais que suficientes para render uma agradável noitada boêmia. Entre playboys e patricinhas, em paralelo com gringos, hippies pós-modernos e habitués, encontrei alguns amigos da fase Oficina de Vídeo do Afro, pessoas queridas que eu não via há tempos. E amigos dos palcos, como Carlão, sempre armado de suas canções e boas lembranças. Isso tudo, aliado às zoeiras (e confusões) dos amigos comunicólogos, já renderia papo para semanas (exagerado...), mas a magia dos Arcos colocou-a nos nossos caminhos, e ela modificou - para melhor - aquela noite. Dançando ao ritmo do funk local da barraquinha de bebidas, monopolizou as atenções para nosso (até então) discreto e comum grupo. Mas ela não consegue passar despercebida, isso não faz parte do seu show natural. A carioca atraiu os olhares de todos, dos donos de barracas aos penetras que se arriscavam pulando o muro do Circo, passando por roqueiros e lutadores de jiu-jitsu! Hahahahaha... Ela é puro êxtasi... E nem se esforça para isso!! Ainda maltratava os atraídos com a máxima “você não conhece minha essência”. Isso dito num momento como esse parece sandice, mas é a pura realidade. Minha amiga há três anos, ela sempre se mostrou uma pessoa íntegra e amiga, honesta acima de tudo. E nesse dia ela comprovou com atos, sendo caridosa com duas turistas lourisíssimas-de-boné ávidas por uma espiga quentinha.
A carroça de milho estava lá, paradona, quase abandonada (ninguém sabia de quem era), e ela não se fez de rogada. Consciente dos desejos das mocinhas, levantou a tampa fumegante e serviu-as um suculento e brasileiro milho, passando por todos os processos com habilidade singular: a tradicional roladinha na água, a fim de esfria-lo; o desdobramento da espiga que serve de pratinho; e a mais prazerosa de todas: a besuntada com manteiga por todos os flocos. E tudo isso pelo ínfimo preço de R$ 1,00. As clientes saíram, satisfeitas, e lá deixaram suas moedinhas que totalizavam a quantia exata. Porca miséria! Sequer notaram a maestria da menina... Realmente, quem tem fome, tem pressa!
Ficamos por ali até que o dono chegasse. Minha personagem preferida foi lá e perguntou o valor do milho, uma vez que as moedinhas já estavam sobre o alumínio da barraca. Surpreendida com a informação de que custava R$ 2,00, ela não titubeou e mandou: “Ah, moço, então passa minhas moedas pra cá que eu só tenho a metade... Seu milho está muito caro!”. E saiu com as moedas, paga pela aventura. A nós só restou o riso e a apreensão, que nos levou a sair de fininho o mais rápido possível do local... Pra fechar (ou abrir?) o dia, encontramos Ivan (um mestre nosso dos palcos) numa sinuca comendo frango à passarinho, e ficamos lá, filando o quitute e falando absurdos. Delícia de Lapa!!
No dia seguinte, tive mais ânimo e levei meu irmão para assistir “A Turma do Pererê”, no Teatro Carlos Gomes, junto com a Jane, Isabela e Pâmela. Muito bacana, o espetáculo narra a história da busca pelo mais brasileiro dos brasileiros, e dá uma lição de geografia (?) e amos à pátria. Destaque para Carol Machado, que faz de suas pequenas participações um motivo mais que especial para assistirmos ao musical. Mas o elenco todo manda bem, e os cenários são bem interessantes. As crianças (ao menos as minhas) já estavam perguntando sobre a hora que acabaria, revelando que por ser longo (quase uma hora e meia), o espetáculo começara a ficar cansativo. Mas valeu a investida! Fomos todos parar no fast-food que oferece a dieta do palhaço (e confesso que me senti um pouco culpado por trocar minha janta pelo lanche...), e depois fomos para casa, com as crianças ainda entretidas pelas lembranças da proximidade com os personagens ao final da peça, no saguão do teatro. E os “incríveis” brindes da lanchonete... God save the children!
Escrito por Bruno às 23h05
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