Eu sou brasileiro e nunca desisto!!!
O ufanismo do título tem vários porquês. E o mais forte deles é o que me fez conectar a essa hora para comentar sobre uma coisa que vi e mexeu demais comigo: o documentário "Santa Marta: duas semanas no morro", exibido hoje no "Cadernos de cinema", na TVE. Já havia lido algo sobre o filme, agora não lembro onde nem o quê, mas o certo é que o destino providencia certas coisas que eu nem sei porque... Ou sei, mas são diversos os significados dentro de mim para os acontecimento diários que, se entrar nesse enredo, o texto será looongo...
Distraidamente eu parei com o "zapping" justamente nesse filme, e os depoimentos me cativaram. Serviço de bússula: Morro Santa Marta (ou Dona Marta), julho de 1987. (Tenho uma mania que pode soar como egocêntrica, mas é que tudo que aconteceu depois de 1981 eu gosto de tentar relembrar, pois sempre me remete à sensações boas de infância que hoje já não aparecem com tanta facilidade). Voltando à contemporaneidade, lembrei logo do trabalho que fiz com outros colegas no Afro Reggae, uma espécie de mapeamento e percepção da realidade dos moradores do Cantagalo / Pavão-Pavãozinho. Fizemos um trabalho bem bacana, discorrendo sobre diversos tópicos comuns no dia-a-dia da comunidade, da religião à infância no morro, contando com depoimentos e lembranças. Um trabalho muito prazeroso que está registrado em CD Rom, a ser entregue.
Acontece que o filme de hoje foi além, pois mergulha no universo daquelas pessoas lindas, puras de coração e repletas de coragem. A linguagem audiovisual retratou de uma maneira bacana a história daquelas pessoas: os sambistas, as crianças, os retirantes nordestinos recém-desesperançosos, o início de um engajamento na comunidade; o morro ainda num momento tranqüilo, podemos dizer. E um bocado do que Walter Benjamin chamou de "aura", quando quis referir-se às artes reproduzidas.
Sempre tive orgulho de ser brasileiro, embora não torça tanto pelo futebol fora de Copa, e não sabia bem o motivo disso até começar a perceber o mundo, seus valores e habitantes. Parece clichê, mas assistindo à esse filme eu descobri mais porquês. Cada rosto ali estampado refletia o sofrimento, esperança, as sensações originais de um povo que desconhece e muitas vezes renega suas origens, como apontou uma debatedora ao final do programa. Histórias de pessoas sofridas, discriminadas, à margem de tudo e buscando seu lugar no asfalto. E com uma verdade interior tão forte que faz chegar às lágrimas.
Casos difíceis, e meu emocional fica à flor da pele. Embora todos os problemas, essas pessoas têm alegria, música na alma, vontade de vencer. Criam filhos e canções. E, no intervalo, surge a campanha "Tente outra vez", embalada pela música homônima de Raul Seixas, demonstrando situações graves superadas por essa força de vontade que o brasileiro tem dentro de si, ilustrada por casos como o do Ronaldinho e do Herbert Vianna. E eu lembro de diversas situações, materiais ou não, de dificuldades nossas e de amigos queridos, e da superação delas, mesmo que lentamente. E lembro da fé na vida que carrego. Intrínsica e intensa.
Percebo aqui que o texto ficou confuso, como toda tentativa minha de explicar um sentimento com ele pulsando forte, mas eu precisava escrever. Foi apenas um momento desabafo, um momento de persistência nos objetivos gerais, na vontade de ver esse país melhor, e percebo que pela garra dessas pessoas que suportam tantas coisas, tudo parece possível. E eu sigo acreditando... Tento sempre mais uma vez!!!
Escrito por Bruno às 01h48
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