Apocalíptico...
O som bate-estaca dá o tom. No lugar de músicos e instrumentos, as "carrapetas". Movimentos performáticos pós-modernos acompanham textos da mesma natureza. E eu fico entediado, procurando a diversão que parece clara para todos - exceto eu!! Ultimamente, tenho visto muitos espetáculos assim, ora dança, ora teatro. E shows, também! Ano passado o Maia convidou-me para irmos ao show da Fernanda Porto, pois ele havia ganho convites na rádio MPB FM. Fomos, embora eu não conhecesse tão a fundo o trabalho da artista. Apenas um "tem que valer, valer, viver...". E um show é sempre um show, né, principalmente de MPB. Mas aí que começou a confusão. Nunca havia ido a um show de MPB com um palco tão vazio de instrumentos: apenas a cantora e um músico-dj, que comandavam o ritmo numa mesa, ao simples apertar de botões, simulando possibilidades mil de "hã-ts-hã-ts-hã" (som da música eletrônica, como ensinou-me Rod Doors, amigo que está distante...). Não estou questionando a qualidade do show, apenas quero mostrar o quão desadaptado estou aos novos meios. Provavelmente esses aparatos tecnológicos auxiliam um show (inclusive na relação custo-benefício), mas em cena soa esquisito. Um vazio assustador preenche (?) o palco. E não me emociona tanto quanto um baticum original, com tambores e percussões, violões, violinos, sax, música arcaica nos dias atuais. Tenho um cd ao vivo do Vander Lee, cantor mineiro maravilhoso descoberto por Elza Soares, que é todo no violão e voz, e nem por isso provoca menos euforia (Jane que o diga, pois sequestrou assumidamente meu cd e nem prevê data para o resgate...). Agora entendo o porquê dos arrepios, da emoção que preenche ao ouvir um jongo, um samba ou mpb. Minhas raízes gritam no fundo de cada célula, dizendo qual é minha formação, aonde minha identidade se vê refletida. A banda AfroReggae mesmo tem muito disso, muita percussão, muito batuque do bom, muita raiz. Origens originais, me permitam a redundância. E surge um colorido na mente, as cores da mãe África, suas crendices e valores.
Artur Xexéu escreveu algo sobre isso de ser um pouco apocalíptico com os novos meios e suportes. Ele dizia que era acostumado a ver fotos em ábuns e a ver filmes em cinema, entre outras coisas. Concordo e assino embaixo. Aonde está a emoção em ver um filme hiper desconfortavelmente diante da tela do computador? Numa boa, não é pra mim... Pedro Paulo, meu amigo, ligou convidando-me para assistirmos um espetáculo de dança no Villa-Lobos. Reclamei de imediato por não ser teatro - embora em tempos de Riocenacontemporânea eu também não ande frequentando os palcos cariocas... Do programa elaborado por Gringo Cardia ao espetáculo no palco, é tudo muito contemporâneo, e eu fico me achando em algum período entre o Renascimento e a arte pop de Andy Warhol. Um filósofo já dizia que só julgamos belo o que compreendemos enquanto beleza. Porque logo eu fugiria à regra? Mas voltando ao Pedro, devo explicar minha reação: tudo que vi ultimamente em espetáculos de dança era embalado pela música eletrônica, ultra moderno. Acontece que essa montagem tem como tema a Tropicália. Ahhh, aí é diferente. Deve rolar muito "Panis et circenses", "Bat-macumba" e "Baby". Mas será que colocaram os doces bárbaros envoltos de um "ã-ts-ã-ts-ã-ts-ã"? Só quem foi pode dizer...
Falei em AfroReggae e não disse que comecei a estagiar por lá, sob o comando de Chris Keller. Super bacana, ambiente de amigos, pessoas queridas e talentosas. Ambiente que favorece o crescimento, estimula a vontade de vencer. Comecei agora... E após finalizar a leitura de "Rota 66" e o stress de PR1, estou lendo "Inveja - Mal secreto", do Zuenir Ventura. Muito bom!! Preciso aliviar meu anjo da guarda... Rss... E pra fechar, uma música que remete a coisas boas, com ou sem Rider: "Vamos fugir, desse lugar, baby / Vamos fugir / Pra onde quer que você vá, que você me carregue..."
Escrito por Bruno às 21h58
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