Sou carioca e não desisto...mesmo!

   Eu sabia que demoraria a voltar por aqui. Já fui mais disciplinado e respeitoso com meus sentimentos, eu sei, mas a verdade é que uma preguiça crônica às vezes baixa nesse ser inconstante (aliás, a única coisa por aqui que não tem sido alterada é minha inconstância). Mas eis que chegou a hora de escrever para mim mesmo. A organização mental dos fatos leva um certo tempo, mas se dá. Hehehehehehe. Enquanto isso, posso dizer que tenho ouvido muito o cd “Mel”, da Maria Bethânia, e ficado cada vez mais apaixonado por ela. Ah, sim, lembrei: é sobre música que eu queria falar, mesmo.

   Conforme todos os brasileiros já sabiam há algum tempo, rolou no dia 21 de março um show do megastar Lenny Kravitz nas areias de Copa. Todos os calendários tupiniquins ansiavam pela chegada do grande dia, do grande show, mas parece que o esquema da Prefeitura para o acontecimento não foi tão bem planejado. Pode ser mais uma opinião sem coerência, mas pelo que eu vi de gente voltando antes do show acabar... sei não.

   Acontece que não havia infra-estrutura para a realização do evento. De cara podia-se perceber que o público no local era como o de um Reveillón, sendo que espremido no espaço de um posto, no caso, algo entre o 4 e o 5. O cenário é uma beleza, e por lá a vida passa a cantar, disse uma música. Mas nem acho que foi o mais apropriado para um show nessas proporções. A começar pelos meios de transporte, que no final do dia de uma segunda-feira já não é essas coisas. Para entrar no metrô, estação Carioca, em direção ao show, precisei voltar até a Tijuca para conseguir entrar no vagão. Era algo parecido com um Santa Cruz às 18h, Centro - Zona Oeste (falo porque já peguei e sei como é). Até aí tudo bem, porque o sistema de transporte não é o mais funcional, também...

   Duas horas depois de entrar na estação, chega-se ao destino pretendido. Talvez de ônibus fosse pior, preferi nem arriscar... O que se via era uma multidão correndo pro show, enquanto um número parecido retornava à estação. Teria acabado? Não, sequer começou. Eram 22h30, e o show marcado para as 21h, sem atraso... Depois de uma certa dificuldade, cheguei a um quarteirão do show. Era gente saindo pelo ladrão, como já se disse um dia. Estava coma Chris, minha companheira de site e sala no Afro Reggae (pra não chamá-la de chefa, que ela detesta...), mas por poucos minutos. A quantidade de pessoas assustou-a, fazendo com que nos perdêssemos em poucos minutos. Agora, eu estava sozinho!!

   Beleza espalhada por todos os lados, como já é peculiar em eventos do tipo na Zona Sul carioca. Mas o colírio não ia voltar comigo (será??), e me concentrei em procurar rostinhos conhecidos. Nada. Tocou “It ain´t over ´til it´s over” e pensei que valia a pena continuar por ali. Estava lá pra ouvir isso e mais algumas outras, mas já estava me dando por satisfeito. A chuva fina não incomodava mais que a falta de conhecidos ao redor. De que vale um show bacana se você está sozinho? Já soube hoje que diversos amigos estavam por lá, mas não esbarrei com nenhum. Falta de sorte.

   Com medo do que me aguardava na estação do metrô pra voltar, me retirei antes da meia-noite, ou seja, quase uma hora antes de acabar o show. “Americam woman” e “Can´t get you off my mind” ainda me encontraram por lá, e foi o suficiente para eu resolver sair fora. Tem músicas que foram feitas para serem curtidas a dois ou mais, ou em casa, no cd. Sozinho num show, não! Embora eu também acredite que isso tudo dependa do momento, mas nesse dia eu não estava pra isso, definitivamente! Voltando à falta de estrutura, acredito que o show tenha sido feito para todos, mas o carioca foi o que menos se beneficiou. Pelo menos o carioca que depende de transporte público. Felizes os que se hospedam no Copacabana Palace, e podem ver o show de camarote! Ou os que ganharam em promoções para ficar no camarote mesmo. Ainda têm os que chegaram super cedo e se debruçaram sobre as grades durante o show. Esses mereceram mesmo ver o cara de perto. Sim, porque eu, via telão, só vi vultos, idéias sobre o show. Ah, vi também a baterista dele. Rsrsrssrrssrsrsrrs.

   Ouvi o cd no dia seguinte e vi que perdi bastante do show, mas tudo bem. Tenho aproveitado demais os meus dias. Conheci pessoas muito legais, mas isso já é um outro papo... Que só fica aqui, mesmo.

Escrito por Bruno às 02h11
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